Mulheres com limitações físicas são exemplos de força, beleza e autoestima

Dificuldades que são superadas dia após dia, assim vivem mulheres com alguma deficiência física. Porém, muitas delas se mostram mais do que guerreiras, encontrando força para superar os obstáculos e encantar quem está à sua volta, tornando-se verdadeiros exemplos de vida. Um desses exemplos é a encantadora e simpática Edilma Nunes de Morais Porto, 46 anos. Ela teve Poliomielite aos dois anos, o que afetou o movimento de seus membros inferiores.

Edilma que hoje é aposentada devido suas limitações, já passou por 16 cirurgias para melhorar sua locomoção. “Graças a Deus sou uma pessoa de muita fé e guerreira, ando com auxilio de muletas e para complicar sofri um acidente em 2010, mas não deixo isso me abater apesar das dores serem frequentes”. Diz.

Durante toda vida Edilma enfrentou vários obstáculos, mesmo assim continua se superando nos afazeres do diários, exemplos dessas dificuldades são se deslocar de casa para o centro, passeio ou hospital utilizando transporte publico que se torna um transtorno para o portador de deficiência física. “Muitas vezes a maioria dos ônibus não são adaptados para nós, falta respeito das pessoas dentro dos coletivos, os bancos que são reservados para nós geralmente são ocupados por pessoas que não precisam”. Desabafa.

Ela que trabalhar o lado positivo de sua autoestima inscreveu-se e participou do concurso Miss Goiânia 2014 Pré Terceira Idade, com mulheres de 40 a 55 anos. E competiu de igual para igual mesmo sendo deficiente física, lembrando que ela era a única portadora de necessidades, concorrendo na categoria.

O desfile do concurso aconteceu no Hotel Empresarial dia 28 de março desse ano. E para a surpresa de todos e principalmente da Edilma, ela foi à campeã e ganhou uma semi joia, quite de cosméticos, book, e o maior premio para ela foi superar todos os limites e obstáculos.

Mas Edilma afirmou ter passado por situações que para ela foram formas de preconceitos. “Uma das pessoas da minha convivência me perguntou. Mais como você vai desfilar usando muletas? Fui gentil ao responder e falei esse é meu meio de locomoção, sinto orgulho de mim mesma”. Contou.

A atual Miss Goiânia 2014 Pré Terceira Idade, disse que quando se tem uma meta, o que era obstáculo passa a ser etapa. Ela também tem o maior orgulho de poder contar com o apoio do seu esposo e filhos, mas fica triste com o preconceito das pessoas. “Na hora de tirar algumas fotos no concurso de miss, ouvi de uma colega guarda essa muleta, e isso é uma forma de preconceito. Atitudes assim são as piores de todas as deficiências!”. Desabafa.

A autoestima de Edilma sempre foi elevada, mesmo com diante das dificuldades físicas. “Atualmente a sociedade busca mais a beleza exterior do que a interior, posso te dar um exemplo: que muitos jovens estão buscando as academias, cirurgias plásticas em busca de um corpo ideal e perfeito, deixando de lado a beleza interior, que é o mais importante, a humildade, cooperação, o bem ao próximo e principalmente o amor”. Diz.

Na concepção dela mulher nasceu para brilhar, não importa sua idade, condição ou limitação, e ainda disse mais “a beleza da mulher tá por dentro, tá no conceito, tá no caráter e a beleza exterior é uma questão de gosto de cada um.” E ainda aconselha pessoas que se encontram na mesma situação, a nunca desistirem de seus sonhos. Pois as barreiras sempre existirão, mas com determinação, confiança e fé tudo pode ser superado.

CEAD ajuda em situação de deficiência

A Superintendente do Centro Estadual de Apoio ao Deficiente (CEAD), Maria de Fátima Rodrigues de Carvalho, 49, sofreu um acidente automobilístico e hoje é cadeirante. Ela cuida, orienta e aconselha deficientes de uma forma geral, no atendimento de habilitação e reabilitação, para que assim todos eles sejam reiterados na sociedade.

“Aqui no CEAD passaram a maioria das pessoas com deficiência reabilitados em nosso Estado, que partiram em busca de sua real cidadania e ainda hoje tem como missão promover autonomia, melhorar a qualidade de vida, dar dignidade e incluir na sociedade garantindo o pleno direito estabelecido na Convenção dos Direitos da Pessoa com Deficiência /2008”. Garantiu a superintendente.

Apesar de vivermos o século XXI , dificuldades são encontradas nas ruas para os portadores de deficiência física. “ Vivemos em um mundo construído e programado para pessoas sem qualquer tipo de limitações física. Portanto buscamos nossos direitos de acessibilidades arquitetônicas, direitos na saúde ,na educação, na comunicação e acima de tudo resgatar a nobreza do direito de ir e vir, rompendo essas barreiras e quebrando preconceitos. Principalmente quanto as calçadas cheia de entulhos, coletores de lixos, desnível buracos, escadarias impedindo que a pessoa com deficiência se destaque no mercado de trabalho e na sociedade como um todo”. Conta Maria pedindo socorro às autoridades.

Exemplos de superação

A administradora Deborah Fontenele Carvalho, 30, se tornou cadeirante aos 16 anos após um acidente. Ela enfrenta vários obstáculos como, a falta de respeito, educação, paciência, compreensão das pessoas, a dificuldade em aceitar a deficiência, a falta de acessibilidade, a discriminação e o preconceito que existe na sociedade.

Mas nem por isso Deborah se deixa abater e aprendeu a superar as dificuldades se tornando uma pessoa mais independente, através da fé, estudo, trabalho. “Além de tudo isso, eu me sinto bonita, sou vaidosa e me cuido bastante”. Falou.

Deborah deixa uma dica para as pessoas que se encontraram na mesma situação, e fala que não deve desistir jamais, lutar para melhorar mesmo que não seja 100%, não se abater diante as dificuldades, ter muita fé para vencer os obstáculos, acreditando que nada é impossível quando se tem vontade.

Já a operadora de telemarketing Juliana de Oliveira, 29, vitima de uma roleta russa aos 16 anos e ficou paraplégica. “Eu estava junto com alguns conhecidos e um dos presentes, manuseava a arma sem saber que tinha bala, quando puxou o gatilho eu fui atingida nas costas e fiquei sem os movimentos das pernas.”, contou emocionada.

Para Juliana a questão mais difícil foi entender que não poderia mais andar. “Imagina só, uma jovem de 16 anos cheia de vida, de sonho e com uma filha pequena, ter a vida mudada radicalmente por questão de segundos. Só no hospital fiquei três meses e tive que fazer algumas adaptações na casa da minha mãe”. Disse.

Mas ela não se deixou abater pelas dificuldades e resolveu sair com a “cara e a coragem”, recém cadeirante em busca dos estudos e emprego. “Hoje moro na minha casa própria, curso faculdade de Serviço Social, me locomovo de ônibus, apesar das debilidades do transporte público na capital”. Falou orgulhosa.

Por incrível que pareça antes da fatalidade Juliana era uma moça sem vaidade, não se importava com saltos, batons, roupas modernas e foi após a deficiência que ficou vaidosa. “Passei por preconceitos de homens que pensam que a mulher cadeirante deixa de ser sensual, feminina e que não sentem prazer. Mas somos como qualquer outra mulher sem deficiência, pois eu já morei junto com uma pessoa, tive uma filha depois da lesão e atualmente namoro serio,e levo uma vida amorosa e sexual ativa”. Explicou.

Juliana deixa um conselho para as pessoas passa por essa situação, é de não desistir, não se esconder em casa, Pegar a cadeira e ir a rua, fazer amizades, ter uma vida social ativa, namorar, dançar, cantar e aproveitar a vida de todas as formas possíveis.

Fonte: http://www.dm.com.br/texto/173846

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