Machismo de Temer

Oi meninas!!!!

Além de presidente novo, o Brasil ontem (13/05/2016) amanheceu com a notícia de que, de 21 ministros a serem nomeados por Michel Temer, NENHUM é mulher. Repito: ZERO MINISTRAS. Ele será o primeiro presidente desde de Ernesto Geisel (1974-1979) a não incluir ninguém do sexo feminino no governo federal. Aqueles que acham que representatividade na composição do governo não importa, alegam que os nomes foram decididos com base em mérito e não em gênero. O que não percebem, no entanto, é o quanto esse argumento é machista: ele pressupõe que nenhuma mulher teria mérito ou competência à altura da vida política.

Aliados de Temer dizem que não é uma opção machista, mas algo que aconteceu naturalmente. E é exatamente assim que funciona o machismo estrutural. Ele é tão normalizado que parece impensado, apenas acontece. Mas continua excluindo mulheres das esferas de poder e tomadas de decisão.

Pode não parecer grande coisa para quem não acompanha as lutas dos movimentos sociais e feminista, em especial. Mas os números deixam isso muito claro: a população brasileira é de mais de cerca de 202.768.562 pessoas, sendo 103,68 milhões de mulheres e 97,78 milhões de homens. A política não deveria ser um espelho dessa sociedade?

E recorte só piora quando falamos sobre outras minorias. Muita gente não entende o conceito de minorias, mas elas são grupos de pessoas que, apesar de numerosos, têm pouco poder em suas mãos. Neles estão pessoas negras (14.351.162), não-brancas ou pardas (82.820.451) e indígenas (821.500 pessoas, que se dividem em 305 etnias e 274 idiomas*).

Nesse raciocínio não levamos em conta orientação sexual – há 60.002 casais homoafetivos* que moram juntos, segundo o Censo, e a população LGBT é estimada em 20 milhões de pessoas – ou identidade de gênero – são 2 milhões pessoas, estimado pela pesquisadora Marina Reidel. Se fosse realizado esse recorte, o número de pessoas representadas nos Ministérios de Temer seria ainda menor.

Os membros cotados para os Ministérios são um reflexo do que acontece na nossa sociedade: a exclusão das minorias sociais baseado no machismo – para não haver dúvida, o machismo vai além da ideia de que homens são superiores às muheres, ele também é racista e classista.

Se vivemos em uma sociedade desigual, que proporciona experiências totalmente diferentes para os diversos grupos sociais que deveriam conviver, as decisões de representantes desses grupos, quando em cargos de poder, seriam diferentes daquelas tomadas por homens brancos.

No Twitter, usuários do microblog classificaram a falta de mulheres no Ministério como um “retrocesso” e um ato “misógino”.

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