Morte de atriz chinesa abre debate sobre terapias alternativas no tratamento do câncer

Oi meninas!!!

No início deste ano, a atriz chinesa Xu Ting foi diagnosticada com linfoma, um tipo de câncer que afeta o sistema imunológico. Mas a artista de 26 anos decidiu não se submeter à quimioterapia porque, segundo afirmou na ocasião, achava o tratamento excessivamente caro e doloroso e temia seus efeitos colaterais.

Atriz foi diagnosticada com linfoma, tipo de câncer que afeta o sistema imunológico

“Não quero que a quimioterapia me atormente e me afete a ponto de eu ficar irreconhecível, de perder todo o meu dinheiro e minha própria essência”, escreveu ela em seu blog.

Ela recorreu, então, à medicina tradicional chinesa.

Agora, a morte da jovem gera um debate na China sobre a eficácia desse tipo de procedimento para tratar o câncer.

O que é a Medicina Tradicional Chinesa?

A medicina tradicional chinesa (MTC), também conhecida como medicina chinesa (em chinês 中醫, zhōngyī xué, ou 中藥學, zhōngyaò xué), é a denominação usualmente dada ao conjunto de práticas de medicina tradicional em uso na China, desenvolvidas no curso de sua história. A MCT é utilizada principalmente como medicina alternativa, com caráter complementar – e não substitutivo – à medicina alopática.

A MCT tem por princípio básico a teoria da energia vital do corpo (chi ou qi) que circula pelo corpo através de canais, chamados de meridianos, os quais teriam ramificações que os conectariam aos órgãos. Os conceitos de “corpo” e “doença” utilizados pela Medicina Tradicional Chinesa se baseiam em noções de uma cultura pré-científica, similar à teoria europeia dos humores (humorismo), em voga até o advento das pesquisas médicas modernas dos anos 1800. Pesquisas científicas não encontraram nenhuma prova fisiológica ou histológica dos conceitos tradicionais chineses, como qi, meridianos ou mesmo pontos de acupuntura.

A teoria e a prática da Medicina Tradicional Chinesa não são baseadas em conhecimento científico, e seus praticantes discordam grandemente sobre os diagnósticos e os tratamentos dos pacientes. A eficácia da medicina fitoterápica chinesa continua pouco pesquisada e documentada.

Pesquisas farmacêuticas têm explorado o potencial de criação de novos remédios baseados em princípios ativos que poderiam ser encontrados em soluções da MCT, mas têm obtido pouco sucesso. Editorial da revista especializada “Nature” descreve a Medicina Tradicional Chinesa como repleta de pseudociência (“fraught with pseudoscience”).

Uma história que não corresponde exatamente a China que conhecemos hoje, e sim ao Oriente, ao longo de milhares de anos, quando foram se consolidando as fronteiras dos atuais países e desenvolvendo uma civilização que reuniu mais da metade das descobertas e invenções tecnológicas do “mundo moderno”.

Para Padilla (o.c.) a medicina chinesa pode ser considerada, portanto, uma “sistematização” das mais antigas formas de medicina oriental, abrangendo, para fins de estudo, as outras medicinas da Ásia, como os sistemas médicos tradicionais do Japão, Taiuan, da Coreia, do Tibete e da Mongólia.

A MTC foi desenvolvida empiricamente a partir da experiência clínica, e documentada em muitos textos, hoje clássicos. Se fundamenta numa estrutura teórica sistemática e abrangente, de natureza filosófica. Ela inclui entre seus princípios o estudo da relação de yin/yang, da teoria dos cinco elementos e do sistema de circulação da energia pelos meridianos do corpo humano.

Tendo como base o reconhecimento das leis fundamentais que governam o funcionamento do organismo humano e sua interação com o ambiente segundo os ciclos da natureza, procura aplicar esta compreensão tanto ao tratamento das doenças quanto à manutenção da saúde através de diversos métodos.

Curas que não curam

A atriz tornou pública sua doença em julho deste ano em sua página na rede social Weibo, com 300 mil seguidores.

Desde então, ela documentou todo o processo na internet.

Constantemente, Xu publicava fotos de si mesma sendo submetida a diversas terapias, dando uma amostra dos métodos da medicina tradicional de seu país – ventosaterapia, acupuntura, alongamento de coluna e um método chamado “gua sha”, que consiste em raspar a pele para produzir pequenos hematomas.

Gua sha é um tratamento da medicina tradicional chinesa que consiste em raspar a pele para produzir pequenos ferimentos; acredita-se que isso estimule o fluxo sanguíneo e a cura

Já a ventosaterapia consiste em acender líquido inflamável dentro de copos redondos de vidro. Uma vez que a chama se apaga, forma-se um vácuo parcial no interior do copo.

A diferença entre a pressão interior e exterior acaba por gerar uma força de sucção, estimulando o fluxo sanguíneo e deixando os círculos vermelhos, que desaparecem entre três e quatro dias.

Quando sua doença começou a piorar, a atriz chinesa decidiu por fim aderir à quimioterapia, mas morreu no dia 7 de setembro, pouco depois de iniciar o tratamento, informou o jornal britânico The Guardian .

‘Fantasiosas’

Milhares de pessoas nas redes sociais acompanharam o calvário de Xu pelos tratamentos tradicionais, e muitos lhe pediram que recorresse à medicina ocidental.

“Preste atenção, a medicina chinesa é completamente inútil na batalha contra o câncer, procure um médico”, opinou um seguidor de Xu Ting.

Outro fã disse: “Deixe de lado os tratamentos tradicionais, são uma fantasia. O que você precisa é de uma medicina contemporânea se você quer se salvar”.

A atriz respondeu que trabalhou muito durante toda a sua vida para pagar os estudos de seus seis irmãos, as dívidas de seus pais e uma casa.

Xu acrescentou que nunca se sentiu confortável gastando dinheiro consigo mesma.

Atriz deixa pai, mãe e seis irmãos

Depois da notícia da morte de Xu, as redes sociais chinesas foram inundadas por comentários.

No Weibo (conhecido como o Twitter chinês), a hashtag #XuTing’sDeathAndChineseMedicine (#MortedeXuTingeeMedicinaChinesa) ficou entre as mais compartilhadas.

Alguns usuários que participaram do debate defenderam que a medicina chinesa não deveria ser considerada culpada pela morte da atriz.

“Há muitos pacientes de câncer que morrem depois da quimioterapia. Nesse caso, vão dizer que a medicina ocidental também é uma farsa?”, assinalou um jornalista de uma rede de TV de Pequim.

“A medicina chinesa tem milhares de anos. Nem tudo o que os médicos ocidentais dizem é verdade”, acrescentou outro usuário.

Entre as diversas técnicas, Xu Ting recorreu à ventosaterapia

O chefe do departamento de medicina tradicional chinesa da Academia de Ciências Médicas de Pequim, Feng Li, afirmou que a prática milenar poderia ter sido usada para aliviar os sintomas de um tratamento ocidental: “Enquanto abordagens ocidentais como radiologia, quimioterapia e cirurgia são eficazes em reduzir tumores, as terapias chinesas ajudam a combater enjoos, vômitos e dores decorrentes.”

O Guardian compilou artigos científicos sobre o assunto na China e identificou uma pesquisa de 2014 mostrando evidências “pequenas a moderadas” de que tratamentos alternativos, incluindo os chineses, podem aliviar dores decorrentes de tumores.

 

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